{"id":459,"date":"2024-05-15T16:30:57","date_gmt":"2024-05-15T19:30:57","guid":{"rendered":"https:\/\/andressadannemannpsi.com.br\/site\/?p=459"},"modified":"2024-05-15T16:30:57","modified_gmt":"2024-05-15T19:30:57","slug":"cuidando-da-mente-materna-saude-mental-e-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/andressadannemannpsi.com.br\/site\/cuidando-da-mente-materna-saude-mental-e-maternidade\/","title":{"rendered":"Cuidando da Mente Materna: Sa\u00fade Mental e Maternidade"},"content":{"rendered":"<p>A jornada da maternidade \u00e9 como um intricado quebra-cabe\u00e7a, onde pe\u00e7as de amor, sacrif\u00edcio e autodescoberta se encaixam. No entanto, por mais que a imagem final possa ser bela, h\u00e1 desafios emocionais e psicol\u00f3gicos que frequentemente permanecem obscuros.<\/p>\n<p>Para trazer \u00e0 tona esses aspectos muitas vezes negligenciados, conversamos com a psic\u00f3loga e psicanalista Andressa Dannemann.<\/p>\n<p><strong><em>Quais s\u00e3o alguns dos desafios psicol\u00f3gicos comuns que as mulheres enfrentam durante a maternidade? Como a psicologia pode ajudar a lidar com esses desafios?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os desafios j\u00e1 come\u00e7am na decis\u00e3o de se tornar m\u00e3e ou n\u00e3o. Quando uma mulher decide n\u00e3o ter filho sofre in\u00fameros julgamentos. A gente sabe como uma maternidade n\u00e3o desejada pode ser prejudicial para m\u00e3e e o beb\u00ea. Uma mulher tamb\u00e9m \u00e9 julgada quando vai fazer tratamento para engravidar: \u201cquis priorizar o trabalho agora n\u00e3o consegue engravidar\u201d. Como se o trabalho fosse um \u201ccapricho\u201d para mulher. Sabemos que muitos pais n\u00e3o assumem a paternidade (estat\u00edstica de mulheres chefiam os lares) e muitas delas precisam ter o m\u00ednimo de estabilidade porque s\u00e3o mandadas embora logo ap\u00f3s a licen\u00e7a maternidade ou as aut\u00f4nomas diminuem horas trabalhadas e consequentemente sua renda. Quando decidem adotar, al\u00e9m de passar por longo processo, sofrem preconceitos porque filho adotado pode vir \u201cdar trabalho\u201d no futuro, como se biol\u00f3gico n\u00e3o desse.<\/p>\n<p>Durante a gesta\u00e7\u00e3o temos algumas ansiedades comuns. No primeiro trimestre, por exemplo, medo de sofrer aborto. No segundo trimestre medo de descobrir ou confirmar problemas de sa\u00fade no feto. No \u00faltimo trimestre medo do parto. Quando nasce o medo de n\u00e3o ser uma boa m\u00e3e ou n\u00e3o saber como cuidar.<\/p>\n<p>Todas essas ansiedades, expectativas e medos podem ser temas para trabalhar na psican\u00e1lise ou psicoterapia. Esses medos podem ser desconstru\u00eddos e elaborados nas sess\u00f5es. Tamb\u00e9m, em alguns casos, uma orienta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica pode ser eficaz.<\/p>\n<p><strong><em>Como a maternidade afeta a sa\u00fade mental das mulheres? Quais s\u00e3o os sinais de alerta de problemas de sa\u00fade mental durante a maternidade e como eles podem ser tratados?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio as principais altera\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas que podem aparecer.<\/p>\n<p>Baby Blues que \u00e9 um sentimento de inseguran\u00e7a, cansa\u00e7o, irritabilidade e tristeza devido as mudan\u00e7as hormonais e a nova rotina. Normalmente duram em tornos de 15 dias.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o p\u00f3s-parto surge nas primeiras semanas e pode durar at\u00e9 um ano. Apresenta sintomas como: humor deprimido na maior parte do tempo, perda de interesse ou prazer nas atividades, fadiga, altera\u00e7\u00e3o de sono e apetite, sentimento de culpa e inutilidade e ideias de morte ou suic\u00eddio. Necessitam de acompanhamento m\u00e9dico e psicol\u00f3gico. Al\u00e9m da rede de apoio.<\/p>\n<p>Mais raro pode acontecer Psicose puerperal. Nesses casos a m\u00e3e pode ter del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es. Pode, por exemplo, escutar vozes falando para ela machucar o beb\u00ea. Necess\u00e1rio acompanhamento psiqui\u00e1trico e psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Em uma vis\u00e3o mais psicanal\u00edtica podemos entender que o puerp\u00e9rio \u00e9 uma fase de profundas transforma\u00e7\u00f5es e elabora\u00e7\u00f5es de lutos. A maternidade \u00e9 muito idealizada e quando o beb\u00ea nasce \u201cn\u00e3o \u00e9 bem assim como eu imaginei\u201d, \u201cn\u00e3o \u00e9 bem assim que eu imaginei como ele seria\u201d. A m\u00e3e tem de desfazer a imagem idealizada para a maternidade real. Prefiro usar o tema poss\u00edvel a real porque normalmente as pessoas associam a maternidade real a algo \u201csofrido, dif\u00edcil demais\u201d. A meu ver a maternidade \u00e9 trabalhosa, exige ren\u00fancias e investimentos ao longo da vida. Tem suas dificuldades e suas alegrias. Caso a maternidade tornou-se algo \u201csofrido\u201d \u00e9 necess\u00e1rio procurar acompanhamento psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>No mais temos o quadro de exaust\u00e3o f\u00edsica e mental por n\u00e3o ter rede de apoio ou por se sentir na obriga\u00e7\u00e3o de dar conta de tudo.<\/p>\n<p><strong><em>Como lidar com a culpa materna? Muitas mulheres enfrentam sentimento de culpa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade. Como podemos entender e lidar com esses sentimentos de forma saud\u00e1vel?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sabendo que n\u00e3o podemos dar conta de tudo, controlar tudo o tempo inteiro. A falta sempre vai existir. Necess\u00e1rio estabelecer as urg\u00eancias e prioridades. Quando um filho adoece a prioridade s\u00e3o os cuidados em rela\u00e7\u00e3o a sa\u00fade a casa pode esperar, por exemplo.<\/p>\n<p><strong><em>Qual \u00e9 o papel do apoio social na experi\u00eancia materna? Como amigos, familiares e a comunidade podem ajudar as mulheres a se adaptarem \u00e0 maternidade?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Um bom come\u00e7o \u00e9 n\u00e3o julgando essa m\u00e3e. Cada m\u00e3e \u00e9 singular. Cada uma tem condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, emocionais, financeiras e sociais e fazem o que podem dentro de suas possibilidades.<\/p>\n<p>Perguntando como pode ajudar. As vezes pode ser preparando uma refei\u00e7\u00e3o, se oferecer para ficar com a crian\u00e7a para os pais irem as compras, pode ser ajudando em uma tarefa escolar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Como a maternidade pode impactar a identidade de uma mulher? Quais s\u00e3o as mudan\u00e7as comuns na autoimagem e na identidade que as mulheres podem experimentar ap\u00f3s se tornarem m\u00e3es?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Como dito anteriormente n\u00e3o deixando de ser mulher. Desejando para al\u00e9m da maternidade. N\u00e3o se sentir culpada por isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Como equilibrar as demandas da maternidade com outras responsabilidades, como trabalho, relacionamentos e autocuidado? Quais s\u00e3o algumas estrat\u00e9gias eficazes para evitar o esgotamento e manter um equil\u00edbrio saud\u00e1vel?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m da conta de tudo e est\u00e1 tudo bem. \u00c9 conseguir entender que algumas coisas d\u00e3o trabalho e precisam ser feitas mesmo e outras podem esperar, podem n\u00e3o sair t\u00e3o bem-feitas.<\/p>\n<p><strong><em>Como a teoria psicanal\u00edtica aborda a maternidade? Quais s\u00e3o os principais conceitos ou princ\u00edpios que podemos aplicar para entender melhor a experi\u00eancia materna?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise a maternidade \u201cn\u00e3o vem pronta\u201d, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o. Dizemos que, mesmo o filho biol\u00f3gico, precisa ser adotado. A m\u00e3e, ou quem exerce a fun\u00e7\u00e3o materna, \u00e9 fundamental na constitui\u00e7\u00e3o ps\u00edquica do beb\u00ea. Quando o beb\u00ea nasce est\u00e1 em completo desamparo. Ele precisa da m\u00e3e para sobreviver. Uma m\u00e3e acolhe, alimenta, nomeia suas necessidades. No in\u00edcio dessa rela\u00e7\u00e3o ocorre uma aliena\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e beb\u00ea. Com o passar do tempo espera-se que, outras pessoas entrem na rela\u00e7\u00e3o, o pai, por exemplo, para promover a separa\u00e7\u00e3o. Conforme a crian\u00e7a vai crescendo vai percebendo o mundo a sua volta e ficando independente.<\/p>\n<p>Exemplos de uma separa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Quando a m\u00e3e diz: \u201cvoc\u00ea \u00e9 meu mundo, mas preciso trabalhar\u201d<\/p>\n<p>Quando o pai diz: \u201cHoje eu vou levar a mam\u00e3e passear\u201d<\/p>\n<p>Quando a v\u00f3 diz: fica com a vov\u00f3 porque a mam\u00e3e precisa ir ao sal\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise quando a mulher se torna m\u00e3e ela n\u00e3o deve deixar de ser mulher. Ela precisa desejar para al\u00e9m do filho. Isso \u00e9 saud\u00e1vel para ela e para a crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong><em>Como a psicologia pode contribuir para promover uma cultura mais inclusiva e solid\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade? Quais s\u00e3o algumas maneiras de apoiar mulheres de diferentes origens e circunst\u00e2ncias em sua jornada materna?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Grupos de apoio, orienta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e acompanhamento psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong><em>Andressa Wolf Miranda Dannemann<\/em><\/strong><em> \u00e9 Psic\u00f3loga Cl\u00ednica e Psicanalista, acumulando 20 anos de experi\u00eancia. <\/em><\/p>\n<p><em>Possui forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua em psican\u00e1lise, especializa\u00e7\u00e3o em Psicologia Cl\u00ednica com abordagem psicanal\u00edtica pela PUC PR, especializa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Mental, Psicopatologia e Psican\u00e1lise tamb\u00e9m pela PUC PR, e gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia pela UTP. Seu n\u00famero de CRP \u00e9 CRP08\/10071. <\/em><\/p>\n<p><em>www.andressadannemannpsi.com.br<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornada da maternidade \u00e9 como um intricado quebra-cabe\u00e7a, onde pe\u00e7as de amor, sacrif\u00edcio e autodescoberta se encaixam. No entanto, por mais que a imagem final possa ser bela, h\u00e1 desafios emocionais e psicol\u00f3gicos que frequentemente permanecem obscuros. 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